Santa Isabel vive o “novo conceito” de gestão: lixo, descuido e muita paciência do cidadão
População reclama do acúmulo de lixo, descarte irregular e ausência de fiscalização ambiental; na zona rural, até animais morreram por causa do descuido do poder público.
Santa Isabel de Goiás — O que antes era motivo de orgulho para os moradores, hoje virou cenário de descuido e insatisfação. Ruas tomadas por lixo, mau cheiro e descarte irregular de resíduos compõem a nova paisagem da cidade. O que a população tem chamado, com fina ironia, de “gestão moderna” tornou-se sinônimo de abandono.
Na zona rural, os reflexos não são diferentes. A propriedade do senhor Lúcio Tavares registrou a morte de animais, consequência direta da falta de controle sobre o acúmulo de resíduos e dos impactos ambientais que seguem sem atenção adequada. A fiscalização ambiental, que deveria atuar com rigor, parece estar em “férias prolongadas”, já que há tempos não se nota presença efetiva nas áreas mais afetadas.
O descuido com a coleta de lixo não causa apenas desconforto visual e mau cheiro — ele representa uma ameaça real à saúde pública. O acúmulo de resíduos atrai ratos, baratas e mosquitos transmissores de doenças como dengue, leptospirose e chikungunya. Além disso, o descarte irregular de lixo em locais inadequados pode contaminar o solo e a água, colocando em risco toda a comunidade, sobretudo crianças e idosos. Especialistas alertam que a omissão do poder público nesse setor é um dos principais fatores de proliferação de surtos em cidades com falhas na limpeza urbana.
O mais curioso é que o problema não parece ser a falta de recursos públicos. A máquina administrativa continua robusta, com novos cargos, nomeações e salários de destaque — alguns que fariam inveja em muitos graduados, mestres e ate doutores. “O dinheiro não desaparece, só muda de prioridade”, comentam, em tom de desabafo, alguns moradores.
Enquanto o lixo se acumula nas calçadas e terrenos baldios, o contribuinte segue cumprindo sua parte: pagando impostos em dia. Já o serviço de coleta, que deveria funcionar com regularidade, tem deixado a desejar, obrigando o cidadão a recolher também sua paciência — sem previsão de quando o “caminhão da gestão” vai passar.
E assim, Santa Isabel vai convivendo com o novo conceito de administração pública: muito discurso, pouco serviço.
A pergunta que ecoa entre os moradores é direta:
Será que o que falta mesmo é dinheiro — ou apenas um pouco de Gestão com “G” maiúsculo?





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